24/04/2005 - RJ - Jornal O Fluminense
A matéria abaixo saiu no Caderno Profissões do jornal O Fluminense. Reportagem de Liriane Rodrigues .
Tudo para não ficar fora do mercado de trabalho
O aumento no índice de desemprego, que atinge cada vez mais os graduados em nível superior, principalmente os recém-formados e os mais velhos, vem fazendo com que esses profissionais busquem outras alternativas para se manter no mercado de trabalho. Eles têm procurado vagas de emprego em profissões diferentes daquelas em que se formaram, criando uma nova tendência para o mercado. Dentro desta nova realidade, cargos como recepcionista, secretária, babá e representante de vendas são algumas das opções.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil era, nos anos 80, o 13º país do mundo em volume de desempregados. Atualmente, é o quarto. Até o fim deste período, o desemprego estava concentrado em pessoas de baixa escolaridade, com pouca experiência profissional, nos negros e nas mulheres. Já a partir dos anos 90, o problema se estendeu às pessoas com nível superior.
O consultor de Recursos Humanos do Grupo Catho, Obadia Sion, confirma a tendência e afirma que ela é resultado das modificações sofridas pelo mercado de trabalho, que está mais competitivo e no qual determinadas funções perderam importância. Segundo ele, a graduação em um curso de nível superior já não garante mais uma vaga de trabalho.
"Muitas empresas estão conciliando duas ou mais funções em um único funcionário, fazendo com que os postos de trabalho diminuam. Paralelamente, os profissionais estão aprimorando seus conhecimentos técnicos e acadêmicos, aumentando a competitividade", explica Sion, lembrando que, estão sendo lançados no mercado, por ano, cerca de 200 mil jovens qualificados."
O consultor alerta que aqueles que estão exercendo um cargo que não condiz com sua formação, além dos outros profissionais em geral, devem fazer um planejamento de carreira, independente da idade, para saber se exercer a função valerá a pena e será satisfatório.
Sion ensina que para obter um resultado, é preciso juntar as aptidões natas, as aptidões adquiridas, os desejos pessoais e a realidadS
De pedagoga a babá
Na Kanguruh Baby Care, empresa que atua no ramo de formação e contratação de babás, das 48 alunas que a empresa especializa por mês, cerca de 30% têm terceiro grau completo. E, segundo a responsável pela companhia, Roberta Rizzo, todas encaram o trabalho como profissão e não como falta de opção.
"Elas buscam o curso para aprimorar seus conhecimentos e querem informação técnica para poder trabalhar com mais qualidade. Podemos chamá-las de babás do século XXI", frisa.
Roberta diz, ainda, que na era da informação e da tecnologia, os pais das crianças em idade escolar preferem este tipo de profissional, que tem cultura suficiente para lidar com as inovações. Um exemplo é a pedagoga Ana Maria Lopes, de 47 anos, que tem pós-graduação em RH, trabalhou 25 anos como coo denadora de escolas de crianças com necessidades especiais e, há dois anos, exerce a função de babá.
Ana conta que teve que largar o emprego para se dedicar ao pai doente e que, depois, desistiu de voltar ao mercado como pedagoga, já que achou que a idade e a desatualização a impediriam de conseguir um bom espaço.
O que começou como falta de opção, virou profissão para a pedagoga. Hoje, apesar de sentir falta da antiga função, Ana se dedica tanto à nova atividade, que faz cursos de aperfeiçoamento e já pensa em lançar um livro. "Trouxe a minha experiência como professora para meu cargo atual e, assim como antes, tento cumprir o papel, acima de tudo, de educadora", observa ela, frisando que adora ser babá e que está feliz com sua atual situação.
Além de estar gostando da atividade, Ana tem a vantagem de receber um salário mais alto. Como pedagoga no serviço público, a remuneração ficava entre R$800 e R$1 mil. Já o vencimento de uma babá, dependendo da profissional, pode chegar a R$1,5 mil.