22/02/2007 - PA
Diário do Pará Babás recebem qualificação
Mais de um ano após a morte da babá Marielma de Jesus, ainda é grande o número de crianças que trabalham na função. No Pará, cerca 25 mil crianças estão envolvidas com o trabalho infantil doméstico, dos quais 95% são do sexo feminino.
Uma das formas de combate a essa situação é a contratação de adultos. “Se quiserem ajudar meninas pobres, que paguem o material escolar, roupas e remédio, mas sem tirá-las de suas famílias. E quem conhece casos de meninas babás que denunciem às autoridades”, afirma Ida Pietricovsk, do Unicef.
Segundo Ida, o processo de retirada da criança de sua família é extremamente violento e alerta para uma realidade cada vez mais cruel: alguns estudos apontam que mulheres filhas de empregadas domésticas acabam trilhando pelo mesmo caminho das mães.
Para quem quiser contratar os serviços de profissionais já há em Belém a empresa Kanguruh, que oferece cursos de qualificação para babás gratuitamente. O treinamento é gratuito, os requisitos básicos são saber ler e escrever e que a pessoa goste de criança. “Não é basta estar desempregada. É por isso que fazemos uma seleção, com avaliação psicológica e checagem de referências. Depois ainda é necessário fazer uma prova”, explica a psicóloga Amanda Couceiro, coordenadora da Kanguruh. “É necessário dar condições para as trabalhadoras, pois se elas estiverem bem, vão cuidar melhor das crianças”, ressalta.
Entre os conhecimentos que as babás adquirem estão primeiros socorros, nutrição, odontologia, fonoaudiologia, recreação e desenvolvimento infantil. Um dos destaques é o de segurança: por meio dele a babá aprende a prevenir acidentes e situações de perigo. “Uma das instruções que damos, por exemplo, é que ela nunca dê informações a respeito da família com a qual está trabalhando”, conta a psicóloga. Matéria de Flávia Ribeiro .